Câncer de próstata: urologista Felipe Camargos fala sobre a importância dos exames preventivos

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O médico urologista Felipe Camargos Lopes, do Hospital Biocor, em Belo Horizonte, foi o convidado especial do Programa Voz do Vigilante MG da última terça-feira (9), exibido ao vivo pelas redes sociais do Sindicato dos Vigilantes de Minas Gerais.

Gentilmente cedido pela Newness Gestão em Saúde e Benefícios, Dr. Felipe falou sobre prevenção e tratamento do câncer de próstata e da campanha Novembro Azul. Confira os principais momentos da conversa do médico com o presidente do Sindicato, Edilson Silva, e o vice-presidente, José Carlos (foto):

- SILVA: DOUTOR, O QUE É A CAMPANHA DO NOVEMBRO AZUL?

- Dr. Felipe: O Novembro Azul é uma iniciativa mundial, que existe também no Brasil. É um mês em que queremos chamar atenção para a saúde do homem, não propriamente só para o câncer de próstata.

O câncer de próstata é o segundo tumor mais prevalente nos homens, depois dos tumores de pele. O homem tem muito aquela rotina de estar sempre trabalhando, sempre achando que está tudo bem, não guarda espaço para cuidar da sua própria saúde.

Muitas vezes, quando descobre algum problema, é tarde. Então, esse mês foi criado para conscientizar sobre a importância do homem procurar o médico para fazer o periódico, para evitar que qualquer tipo de doença tenha um diagnóstico mais tardio. Se aparecer, que o tratamento seja iniciado o mais cedo possível.

- SILVA: NA NOSSA CATEGORIA, MUITOS TRABALHADORES AINDA TÊM PRECONCEITO EM FAZER O EXAME. OS CASOS DE CÂNCER DE PRÓSTATA TÊM AUMENTADO?

- Dr. Felipe: Atualmente, com os métodos de diagnósticos mais precisos, tanto o toque quanto o PSA, houve aumento, sim, no diagnóstico. O que a gente percebe, é muito preconceito. O pessoal não procura o urologista com medo de um exame que é simples, rápido - dura alguns segundos; e não dói. Se não for feito o rastreio, por meio do exame PSA ou toque, o diagnóstico pode se dar mais tardiamente, quando a doença já está espalhada, e não tem mais tanta chance de cura.

- JOSÉ CARLOS: É PRECISO QUEBRAR ESSE PRECONCEITO E FAZER O EXAME, QUE É MUITO IMPORTANTE, NÉ?

- Dr. Felipe: Exatamente! Recomendamos que todo homem acima dos 50 anos faça o PSA e o toque ao menos uma vez por ano. Se tiver histórico de câncer de próstata na família, recomendamos começar o periódico especificamente para a doença antes dessa idade.

Existem outras questões relevantes, como as relacionadas à sexualidade, que também podemos abordar na consulta. É também a oportunidade de fazer uma revisão laboratorial, avaliar se existe algum outro problema, como na glicose,  pressão e no colesterol, para já prevenir alguma doença que pode surgir mais adiante. Se descoberto na fase precoce, mais de 90% das pessoas com câncer de próstata vão ficar curadas.

- JOSÉ CARLOS: DOUTOR, QUAL A IDADE PARA A PESSOA COMEÇAR A FAZER OS EXAMES?

- Dr. Felipe: Recomendo a todos a procurar um urologista a partir dos 40 anos. Não necessariamente vai precisar fazer o toque, começamos fazendo o exame de PSA. A partir dos 50 anos, é preciso fazer também o exame de toque. Se diagnosticada no início, como falei, a doença tem cura.

- SILVA: TRABALHADOR, VIGILANTE, VOCÊ QUE TEM PLANO DE SAÚDE, NÃO SE HESITE. O PLANO DE SAÚDE ESTÁ AÍ, É PARA USAR. É MELHOR VOCÊ SE PREVENIR DO QUE DEPOIS TER QUE GASTAR MUITO MAIS. MARQUE UMA CONSULTA! DOUTOR, QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA DOENÇA?

- Dr. Felipe: O câncer de próstata, geralmente, não tem sintomas. Muitos pacientes me procuram porque estão com dificuldades de urinar, levantando muitas vezes à noite para fazer xixi. Isso, geralmente, é decorrente de um "problema" benigno da próstata, que chamamos de hiperplasia da próstata.

O câncer de próstata propriamente dito é silencioso, porque a região em que ele aparece não costuma apresentar sintomas. Quando aparece algum sintoma, na maioria das vezes, já é uma doença muito avançada, que a gente não vai conseguir operar e, talvez, tenha que fazer alguns tratamentos mais complexos, não tirar o tumor propriamente dito.

- JOSÉ CARLOS: AS PESSOAS TÊM QUE PARAR COM ESSE PRECONCEITO, NÉ?

- Dr. Felipe: Sim. É um exame muito importante, rápido e simples, que dura menos de 20 segundos, não dói. É muito mais tabu e preconceito. Para a saúde, não deve haver constrangimento. É preciso prevenir!

- SILVA: DOUTOR, A PANDEMIA ATRAPALHOU OU CONTRIBUIU NO NÚMERO DE CASOS?

- Dr. Felipe: Percebi que os pacientes ficaram com muito medo de procurar os serviços de saúde. Alguns deixaram de fazer os tratamentos que tínhamos proposto naquele intervalo. Todos que precisaram ser operados durante a pandemia, foram operados. Mas muita gente que deixou de procurar, agora que está retornando. O pessoal vacinando, está voltando. Tenho visto que muita gente ficou quase dois anos sem fazer nenhum tipo de exame.

Com relação a outras doenças, a situação não está tão bem controlada, é preciso fazer uma atualização. Agora, com as vacinas disponíveis, não tem problema nenhum ir ao médico, é só seguir as medidas sanitárias e usar  máscara que não vai ter risco nenhum à saúde.

- JOSÉ CARLOS: QUAL O PERÍODO QUE DEVE SER FEITO ESSE EXAME, ANUAL, SEMESTRAL?

- Dr. Felipe: Recomendamos que o exame de toque deva ser feito anualmente, se a pessoa que não tiver sintomas urinários e nenhuma dificuldade para urinar. Se tiver outros sintomas, como muita dificuldade para fazer xixi, acordar muitas vezes de madrugada, às vezes, precisaremos acompanhar, fazer o controle. Mas, como disse, esses são sintomas que geralmente não estão relacionados ao câncer de próstata.

- SILVA: SE O EXAME DE PSA NÃO APONTAR NENHUM PROBLEMA, MESMO ASSIM É PRECISO FAZER O TOQUE, QUAL A ORIENTAÇÃO NESSES CASOS?

- Dr. Felipe: O PSA é um exame muito bom, nos ajuda demais a fazer o diagnóstico precoce da doença, mas ele não substitui o toque, porque em 20% dos casos de câncer de próstata o PSA não vai aumentar. Há casos em que a pessoa tem câncer mesmo com o PSA baixo. A cada 10 diagnósticos que faço, em dois só descubro pelo toque, pois o PSA não aumentou.

Costumo brincar que ir ao urologista e não fazer o toque é a mesma coisa de ir ao cardiologista e não medir a pressão, auscultar o coração. Então é fundamental, porque o toque vai dar muitas informações, não só sobre o câncer de próstata. Além de saber o tamanho da próstata, se tiver algum outro problema relacionado vai nos ajudar demais a definir um tratamento.

- JOSÉ CARLOS: SE O PSA E O EXAME DE TOQUE APONTAREM ALGUMA PROBLEMA, QUAL PROCEDIMENTO DEVERÁ SER FEITO?

- Dr. Felipe: Geralmente, quando há alteração tanto do PSA quanto do toque, é preciso complementar esses exames com exames um pouco mais complexos, como a ressonância e a biópsia da próstata. A biópsia é um exame invasivo, mas através dele fazemos um rastreio na busca de um tumor, que nem sempre existe. Hoje, o tratamento está muito evoluído. Se for diagnosticado um câncer em estágio muito inicial, não muito agressivo, a gente só faz o acompanhamento, não tem nem necessidade de fazer cirurgia.

- JOSÉ CARLOS: NO PRINCÍPIO, DÁ PARA TRATAR COM MEDICAÇÃO?

- Dr. Felipe: Não necessariamente, se for um tumor muito no início, a gente consegue observar. A nossa preocupação é fazer um tratamento que não cause mais mal do que bem ao paciente. Se for um tumor muito indolente, muito pequenininho, às vezes a gente só acompanha. No caso de tumores mais agressivos, de risco intermediário e alto, é preciso partir para algum tratamento, cirurgia ou radioterapia, conforme cada paciente.

- SILVA: DOUTOR, QUAL PALAVRA O SENHOR DEIXA PARA OS TRABALHADORES?

- Dr. Felipe: Costumo brincar que todo homem que tem um carro leva-o para  revisão todo ano direitinho. Vai lá, faz todas as manutenções preventivas. O corpo humano é uma máquina também, a gente necessita dessas manutenções preventivas para não aparecer um problema de repente e acabar ficando na mão.

Hoje, é muito mais fácil a gente pegar uma doença no início e tratar, do que esperar ela avançar e já pegar ela num estágio muito avançado. Não hesitem em procurar um urologista pelo menos uma vez ao ano, é uma oportunidade para a gente ver a questão urinária, da pressão, glicose, colesterol.

Geralmente, na faixa etária dos 45 a 50 anos é quando começam a aparecer os problemas. Às vezes, o paciente chega no consultório se queixando de uma dificuldade de ereção e a partir daí descubrimos que é um problema cardíaco. Então, não podemos deixar de procurar o médico pelo menos uma vez por ano.

Agradeço o convite, é o segundo ano que participo do programa, para falar do Novembro Azul. Vocês estão de parabéns por dar esse espaço para nós. Como a maioria dos vigilantes são homens, esse espaço é importantíssimo para alertarmos a todo mundo a se prevenir e cuidar da saúde.

Se você perdeu o bate-papo com o Dr. Felipe ou quiser assistir novamente a live do Sindicato, basta acessar a TV O Vigilante, em nosso site (www.ovigilante.org.br), o Facebook ou YouTube. O programa Voz do Vigilante MG vai ao ar toda terça-feira, às 19 horas. Contamos com sua audiência e participação.

Fonte: Imprensa do Sindicato.

 

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