História de cada um: Determinação e superação de vigilante de Pouso Alegre são lições de vida

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A série de entrevistas "História de cada um", iniciativa do Departamento de Imprensa do Sindicato, chega hoje à sua oitava edição. Desta vez, destacamos a trajetória do vigilante Márcio Antônio Teles, 46 anos, um exemplo de determinação e superação.

Paranaense de Santo Antônio da Platina, Márcio é apaixonado por Pouso Alegre, no Sul de Minas, onde vive e trabalha. Casado pela segunda vez, é pai de três filhos: uma rapaz de 26 anos e duas moças, de 15 e 13 anos.

A infância ele passou no interior do Paraná e na capital, Curitiba. Aos 10 anos, veio com a família viver em Minas, na pequena Monsenhor Paulo, de onde seus pais haviam saído na década de 1960 para tentar a vida no Paraná, no auge da cultura de café.

A juventude foi de trabalho duro na roça, para ajudar os pais. "Somos em 11 irmãos", conta.

Em 1991, aos 18 anos, alistou-se no Exército, em Pouso Alegre, com a intenção de seguir a carreira militar. Mas, após 4 meses no quartel, a permanência foi abreviada e ele teve que voltar pra casa. "Infelizmente, não pude continuar, deram baixa".

De volta a Monsenhor Paulo, retomou o trabalho no campo e, em 1994, se casou pela primeira vez, tendo o primeiro filho no final daquele ano.

Em 1997, com o objetivo de mudar de vida, mudou-se com a família para Pouso Alegre, indo trabalhar no setor industrial, na fábrica de garrafas térmicas Invicta.

Sonho

O sonho de trabalhar na segurança privada se realizou ainda em 97, quando conseguiu uma vaga de segurança no Hospital das Clínicas Samuel Libânio, pela Pres Con. "Naquela época, não existia curso de vigilante na região. Para fazer o curso, era preciso ir a Belo Horizonte ou São Paulo, o que tornava mais difícil concretizar meu desejo", lembra Márcio.

A oportunidade de se profissionalizar surgiu em 1999, quando um curso de formação de vigilantes foi implantado na cidade. "Com o curso, consegui um emprego na Ronda Vigilância, trabalhando à noite num posto da Cemig, e continuei no hospital durante o dia. Com a experiência na área, não parei mais", relata.

Márcio também passou pela Proforte Transporte de Valores, prestando serviços na Unilever, de 2002 a 2004. De volta a Monsenhor Paulo, liderou uma equipe de 14 pessoas na MGM Produtos Siderúrgicos, fabricante de portas e janelas, de 2005 a 2012.

Naquele ano, retornou a Pouso Alegre e ingressou na TBI, prestando serviços no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Denit), até 2014. Também foi funcionário da Globalseg, trabalhando na Deva Veículos, entre 2015 e 2017.

No mesmo ano, foi contratado pelo Grupo Souza Lima para prestar serviços na General Mills, uma das maiores fabricantes de alimentos do mundo, proprietária de marcas como Yoki, Mais Vita e Kitano, onde permanece desde então.

Reviravolta

Mas a vida tranquila, sem maiores dificuldades, lhe pregou uma peça: em 2016, Márcio sofreu um grave acidente de moto no trajeto do trabalho. "Tive que colocar 6 parafusos na coluna, ficar 60 dias de cama e 5 meses afastado do serviço", recorda.

A vida do vigilante virou de cabeça pra baixo. "Tive que parar de jogar futebol, uma das coisas que mais gostava de fazer nos finais de semana, e de praticar arte marcial. Diziam que eu não voltaria mais a andar".

Mesmo desacreditado e desanimado com o drama que vivia, Márcio conta passou a fazer fisioterapia e demorou cerca de 3 meses para voltar a se locomover. "Passei a usar muletas e andador, tinha medo de levantar. Pensava  muito na vida e pedia a Deus para manter a fé e a perseverança para voltar a andar e a trabalhar".

Certa vez, ao comparecer a uma perícia médica no INSS, Márcio foi atendido por um médico que mudou sua vida. "Dr. Wagner Fagiani, um senhor de 72 anos, com 12 parafusos na coluna, conversou muito comigo, falou da sua experiência e me encorajou. Saí da consulta com mais confiança, determinado a seguir com a fisioterapia e a retomar a vida. Foi um milagre!".

Além de se dedicar à recuperação física, Márcio aproveitou o tempo disponível para se capacitar ainda mais e ampliar seus conhecimentos. "Nesse período, fiz curso de transporte de valores, escolta armada, segurança pessoal, primeiros socorros e de uso de armas não lentais".

Poucos meses após o acidente, Márcio voltou a andar, inclusive de moto, e a trabalhar. "Hoje, levo uma vida normal e voltei até a fazer defesa pessoal", afirma.

Mas ele pretende ir ainda mais além. "Sonho em ter a casa própria e um carro bom". Já o futebol foi substituído pelo videogame e filmes na TV.

Em 2019, Márcio também se casou pela segunda vez. "Ela me ajudou muito".

Pandemia

Com a pandemia do novo coronavírus (Covid 19), o vigilante explica que teve que se adaptar, tanto em casa quanto no trabalho. "No serviço, passamos a usar um novo uniforme, Equipamentos de Proteção Individual, como luvas, óculos, máscara e capacete de proteção; a medir a temperatura dos funcionários, evitar aglomeração de pessoas e a ficar mais atentos na chegada dos ônibus. Em casa, passei a tirar os sapatos antes de entrar; trocar de roupa e lavar as mãos antes de cumprimentar alguém. O uniforme também passou a ser lavado separado e todos os dias".

Essas e outras medidas exigiram ainda mais responsabilidade e tornaram o serviço mais difícil. "Antes não havia essa preocupação com contágio por vírus. Hoje, o sentimento é de apreensão, pois nos preocupamos com a saúde dos colegas de trabalho, de nós mesmos e da nossa família".

Para ele, a pandemia pode demorar muito a passar. "Muita gente ainda não está colaborando, continua saindo sem necessidade e até fazendo churrasco. É uma questão de conscientização e de prevenção, pois é uma doença grave".

Apoio

Sindicalizado há mais de cinco anos, Márcio diz que sempre contou com a ajuda do Sindicato. "Defendo o Sindicato porque sempre tive apoio e respaldo.  Não estamos sozinhos, o único que luta pelo nossos direitos e pode nos ajudar é o Sindicato".

Ele também considera fundamental a eleição políticos que defendam as causas dos vigilantes. "Diversas categorias e setores têm representantes nas câmaras municipais, na assembleias legislativas e no Congresso Nacional. Também precisamos apoiar pessoas que lutem por nós e pelas causas dos vigilantes".

Pouso Alegre

Sobre Pouso Alegre, Márcio fala com orgulho. "É uma cidade acolhedora, que tem um povo muito hospitaleiro. Saí da roça, de uma cidade pequena, e tive muitas oportunidades em Pouso Alegre. É uma cidade onde se consegue prosperar".

Para quem pretende visitar a cidade, ele recomenda um passeio ao Cristo Redentor, "de onde se tem uma vista maravilhosa"; ao horto florestal, "parque ecológico que oferece uma paz danada e se pode relaxar"; e às inúmeras cachoeiras da região. "Não troco por nada", finaliza.

Homenagem

Com essa história de superação, o Sindicato dos Vigilantes de Minas Gerais presta uma justa homenagem a Márcio e a todos os profissionais de segurança privada, especialmente no mês em que comemoramos o Dia do Vigilante - 20 de Junho.

Para conhecer as outras histórias da série "História de cada um", acesse o Facebook ou o site do Sindicato: www.ovigilante.org.br.

Fonte: Imprensa do Sindicato.

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