História de cada um: vigilante capixaba faz história na Diamantina de JK

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Após 26 anos de muita dedicação ao trabalho, o vigilante Edemar Marques Bento, 54 anos, finalmente conseguiu a aposentadoria especial. Aposentado há duas semanas, agora ele faz planos de dividir o tempo entre a cidade e o campo, em Diamantina, na região do Jequitinhonha, onde pretende "cultivar uma horta e criar galinhas".

Ele também diz que gosta de pescar nos rios Jequitinhonha, Paraopeba, São Francisco, Paraúnas, Pardinho, no Rio das Velhas e em Três Marias. "O que menos importa é conseguir trazer peixes pra casa. Vou mesmo para descansar, distrair".

Natural de Barra do São Francisco, no Espírito Santo, Edemar veio para Minas Gerais com sua família ainda criança, indo morar na capital. Mais tarde, em uma passagem por Diamantina, a trabalho, conheceu sua esposa e nunca mais deixou a cidade. "Minha esposa é minha cara. A conheci no último dia, após prestar serviços na cidade por 45 dias, e decidi ficar".

Em Diamantina desde 2003, ele diz que também escolheu a cidade por ser tranquila, ter um ar melhor. "Eu vivia viajando a trabalho, passando por várias cidades. Cheguei a receber convites para ir morar em diversas delas, mas acabei optando por Diamantina. Aqui, me adaptei facilmente, pois é uma cidade acolhedora, onde todo mundo se conhece e é amigo. Sou tão conhecido por aqui que costumam dizer que, se me candidatar a vereador, eu ganho", se diverte.

Pai de duas filhas, de 25 e 17 anos de idade, e de um garoto de 14, ele conta que a mais velha está seguindo seus passos, trabalhando como vigilante profissional em BH.

Trajetória

Seu último emprego antes de se aposentar foi na Esquadra Segurança,  onde permaneceu por quase 7 anos. Somente na agência da Caixa da cidade foram 17 anos de serviços prestados.

Na profissão de vigilante, começou em 1997, assim que concluiu o curso profissionalizante. Trabalhou no Thermas Internacional de Minas Gerais, em Esmeraldas, e no Parque Nacional na Serra Cipó, em Santana do Riacho,  durante 8 anos, pela Honda.

Também prestou serviços numa das maiores agências da Caixa em BH, a Tupinambás, até que começou a viajar, trabalhando no Banco do Brasil e no Itaú, e em empresas como a Emive, Pró Cemig, Protex, Confederal e Esparta. Antes, trabalhou na Plastimal, em Contagem; passou pela Brahma e foi metalúrgico na Fiat Allis, em Betim.

Adversidades

Em tantos anos de profissão, não foram poucos os desafios e adversidades que teve que enfrentar. "Na Serra do Cipó, certa vez um visitante queria entrar no parque de carro e sem pagar. Com frequência, flagrávamos pessoas tentando caçar na área do parque, burlando a proibição. Isso sem falar nas muriçocas e carrapatos. Era preciso muito jogo de cintura".

Outro fato marcante para Edemar ocorreu em 2002, quando a agência da Caixa em que trabalhava, no bairro Horto, na capital, foi alvo de bandidos. "Eu estava na parte de cima, dando cobertura no pátio do setor de Habitação. Após invadirem a agência, dois bandidos subiram até onde eu me encontrava e deram de cara comigo. Vários funcionários já haviam sido feitos reféns e os ladrões haviam roubado armamentos, rádios comunicadores e celulares dos colegas e dinheiro do banco, mas não fizeram nada comigo e foram embora. Dei sorte, foi Deus que me protegeu".

Em outra ocasião, Edemar lembra que foi até o Banco do Brasil de Corinto para receber o pagamento do salário. Logo após deixar o local, a agência foi assaltada. Já em Inhapim, permaneceu 45 dias trabalhando sem folga no banco Itaú, após a cidade ter sido atingida por uma tromba d´água.

Solidariedade

Braço direito do Sindicato em Diamantina, Edemar é um dos associados da entidade mais antigos e atuantes da região. "Sempre fiz questão de participar das reuniões e assembleias, pois o Sindicato sempre esteve ao nosso lado, defendendo nossos direitos, principalmente quando empresas quebravam e tentavam dar o cano. Por isso, temos que participar mais e fortalecer o Sindicato, para que possa continuar lutando pelos nossos direitos. Se hoje temos uma série de benefícios, isso se deve ao trabalho feito pelo Sindicato ao longo dos anos".

Segundo ele, o Sindicato o ajudou em várias situações. "Através do Sindicato, consegui que uma das empresas pagasse a reciclagem; obtive ajuda para obter a aposentadoria especial; e até para que minha filha conseguisse fazer o curso de vigilantes. Sou muito grato".

Solícito, Edmar também sempre ajudou os vigilantes. Ele costumava pegar os currículos de colegas desempregados e espalhava pelas empresas. "Acabava dando certo e vários conseguiram emprego, tanto em BH como em Diamantina".

Pandemia

Edemar considera que a pandemia do novo coronavírus complicou a vida cotidiana. "Ficou difícil de conviver, pois não podemos mais cumprimentar as pessoas como antes, temos que nos manter mais afastados. Isso tornou as coisas mais chatas. A gente fica até com medo de sair, fica com pé atrás. Se deixar, a gente fica louco, mas temos que nos precaver".

Para se adaptar à nova realidade no trabalho, ele conta que teve que adotar os cuidados de praxe e ficar ainda mais atento à movimentação, mas sem deixar de dar atenção às pessoas.

"O trabalho do vigilante já é tenso. Com a obrigatoriedade do uso de máscara de proteção, vagabundo passou a não ter cara e ficou difícil saber quem é quem. Toda essa situação deixou as pessoas mais nervosas. Por isso, sempre procurava ajudá-las o máximo possível, passar as orientações".

Otimista, ele acredita que tudo vai mudar. "Vamos superar esta pandemia, com certeza. Se Deus abençoar, vamos passar bem e sairmos dessa ainda melhores".

Terra de JK

Sobre o que fazer na terra de Juscelino Kubitscheck, Edemar sugere aos visitantes conhecer as construções históricas da cidade, as belas cachoeiras da região ou curtir a famosa vesperata. "É uma cidade acolhedora, boêmia. Tudo é festa em Diamantina".

Homenagem

Com essa bela história, a sétima da série de reportagens "História de cada um", que vem sendo publicada desde o mês passado, o Sindicato dos Vigilantes de Minas Gerais presta uma justa homenagem a Edemar e a todos os profissionais de segurança privada, especialmente no mês em que comemoramos o 20 de Junho - Dia do Vigilante.

Para conhecer as outras histórias da série, acesse o Facebook ou o site do Sindicato: www.ovigilante.org.br.

Fonte: Imprensa do Sindicato. 

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