Reforma da Previdência prejudica os mais pobres e tira R$ 17 bi da economia, avalia economista

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O economista e professor da Universidade Estadual de Campinas Pedro Rossi alertou, em audiência da comissão especial da Câmara que trata da Proposta de Emenda à Constituição que dispõe sobre a reforma, a PEC 6,  que, ao contrário do que prega o governo, sobre o pretexto de combater privilégios e desigualdades, a reforma da Previdência atingirá em cheio a renda dos mais pobres, retirando-lhes por ano R$ 17 bilhões do bolso e também da economia – e não mexe em nada com o 1% mais rico da população.

Segundo Rossi, pela proposta, as mudanças no abono salarial vão reduzir, em média, 5,7% da renda anual de 24 milhões de trabalhadores que ganham entre um e dois salários mínimos. As profissões que mais devem perder são cozinheiros, trabalhadores de serviços de manutenção, porteiros/vigias, recepcionistas, entre outros. Mais de 60% dos ajudantes de obras, por exemplo, perderão essa renda anual.

De acordo com Rossi, grande parte dos assalariados vai perder o abono salarial, e isso tem impacto distributivo e macroeconômico. “Estão tirando recursos que fazem girar a economia. (...) Crescimento é consumo e investimento. Se tirar renda, as pessoas não vão consumir".

Segundo o economista da Unicamp, o problema não está em quem ganha salário mínimo. “O problema está no teto de gastos, com as limitações fiscais da Emenda Constitucional 95, que reduz o gasto público em 20 anos. O problema da desigualdade está nos 2% ou 1% mais ricos”.

Impacto social

De acordo com a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Luciana de Barros Jaccoud, a mudança proposta pelo governo de Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, para o Benefício de Prestação Continuada (BPC), no texto original da reforma, vai ter grande impacto social. Hoje, o valor do benefício é de um salário mínimo (R$ 998), mas passaria a R$ 400 para quem tem 60 anos e só chegaria ao valor do salário mínimo para quem completar 70 anos.

A pesquisadora do Ipea ressaltou que os problemas econômicos vividos por quem tem pessoas fisicamente vulneráveis ou com deficiência “não são apenas individuais, são problemas familiares”. Os gastos dessas famílias com saúde, alimentos especiais e outros são maiores. Além disso, pessoas que têm dependentes nessas condições na família têm mais dificuldade de conseguir emprego. “Mães de crianças de portadores de doença ou dependente não conseguem trabalho”, exemplificou Luciana.

Debate no Sindicato

Para debater os impactos da reforma da Previdência na vida dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros e em especial na dos profissionais de vigilância, o Sindicato vai promover um encontro, no dia 30 de maio, às 18h30, em sua sede, em Belo Horizonte (Rua Curitiba, 689, 9º andar, centro).

O debate contará com a participação da presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB Minas), Valéria Morato; do técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos em Minas Gerais (Dieese-MG) Fernando Duarte; e da advogada especialista em Direito Previdenciário do Sindicato, Carmem de Sales Amaral. Participe!

Fonte: Imprensa do Sindicato, com informações da Rede Brasil Atual.

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