Tivemos que provar que somos capazes, diz vigilante de BH homenageada pelo Sindicato

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A vigilante Cremilda Marta Brandão, 54 anos, é a homenageada do Sindicato nesta edição da série de reportagens "História de cada um", iniciativa do Departamento de Imprensa da entidade. Pioneira na profissão, ela fala do amor à vigilância, da família e importância de ser associada ao Sindicato. Confira:

Também conhecida como "Nilda" e "Créo", Cremilda é natural de Belo Horizonte. Filha única, ela perdeu o pai aos 4 anos de idade e, com a mãe, foi morar na casa de um tio, juntamente com uma tia e outros três tios menores.

"Mesmo com minha mãe ficando viúva muito cedo e eu sendo a única filha, passei a infância rodeada de pessoas. Foi uma época muito boa e tranquila, em que se podia brincar na rua, de queimada, rouba bandeira".

Na adolescência, aos 14 anos, Cremilda aliou necessidade e oportunidade e começou a trabalhar, no escritório de uma empresa de construção civil da família. "Era office-girl, fiz datilografia".

Posteriormente, foi trabalhar no escritório e como vendedora numa loja de roupas no bairro Barro Preto, centro de moda da capital mineira.

Segurança privada

Após longo período de trabalho no comércio, em 2001, aos 35 anos de idade, Cremilda decidiu buscar novos horizontes. "Não estava mais satisfeita. Pensei em fazer Enfermagem, mas não tinha vocação".

Incentivada por um amigo vigilante, ela então se inscreveu no Curso de Vigilante Postulado. "Me identifiquei e gostei muito". Mas, no início, nem tudo foram flores para ela.

"Na época, havia apenas cinco mulheres no curso. Cheguei a enfrentar o preconceito de um colega, que achava que a vigilância não era profissão para mulheres, que tínhamos que ficar em casa, cozinhando. Tivemos que provar que as coisas não eram bem assim, que também somos capazes".

Logo após a conclusão do curso, Cremilda foi contratada pela Confederal, trabalhando no Banco do Brasil por quase 10 anos. Nesse período, também foi empregada da Ronda. Mais tarde, prestou serviços na Caixa por 13 anos, até aposentar, passando pela JG (Atenas), Esquadra, Esparta e TBI.

Durante o tempo em que atuou como profissional de segurança privada, ela fez vários cursos, como o de brigadista e computação. "Trabalhei com monitoramento, alarme".

Aposentadoria

Aposentada desde dezembro de 2019, após 33 anos de serviço, Cremilda diz que encerrou mais um ciclo. "Gosto muito da vigilância, é algo que fiz com prazer. De todas as atividades que desempenhei, é a profissão na qual me senti mais realizada".

O segredo para se dar bem na profissão, ela revela: "Primeiramente, é preciso ter amor e gostar do que se faz. Também, devemos dedicar ao trabalho, ter compromisso, honestidade e responsabilidade, pois lidamos com vidas e bens das pessoas. Vou sentir muita saudade".

Entre os planos para o futuro próximo, estão cursar uma faculdade, talvez na área de segurança. "Nunca fiquei parada na vida, estou me adaptando, mas buscando algo sempre". Ela também sonha em fazer uma viagem internacional, "para os Estados Unidos ou nem que seja para a Argentina".

Segundo ela, a pandemia do novo coronavírus (Covid 19) mexeu com sua vida. "Como minha mãe é idosa, estou passando o tempo em casa, mais presa. Sou muito agitada, mas o lado bom é que agora estou tendo mais tempo para curtir a família".

Associada

Associada ao Sindicato desde que ingressou na vigilância, Cremilda afirma que vale a pena ser sindicalizada. "Antes, o Sindicato mantinha convênios com médicos e dentistas e clubes. Foi muito proveitoso. Com a Convenção Coletiva de Trabalho, passamos a ter plano médico e odontológico, atendimento jurídico e um clube muito bom", avalia.

Ela também ressalta a importância da entidade nas lutas da categoria. "O Sindicato exerceu um papel fundamental, por exemplo, numa greve histórica dos vigilantes do Banco do Brasil. Na época, conseguimos melhorias salariais e  plano de saúde".

Para ela, mais do que nunca, os trabalhadores e trabalhadoras precisam se conscientizar e ajudar a manter a entidade. "Sem o Sindicato, talvez não teríamos conquistado benefícios como o adicional de periculosidade de 30% e tivéssemos perdido ainda mais direitos. Precisamos sustentar o Sindicato para que possa continuar defendendo nossos direitos e respondendo por nós".

Orgulho

Divorciada, Cremilda criou a filha única desde quando ela tinha 8 anos de idade. Hoje, aos 24 anos, é formada em Filosofia e estuda Psicologia. "É uma vitória garantir os estudos dos filhos, pois muitas pessoas acham que a profissão de vigilante não dá suporte para crescermos na vida, estudar. Antigamente, era assim. Agora, é diferente, muitos conseguem se formar, estudar os filhos", conta orgulhosa.

Outras homenagens

Para conhecer os outros homenageados pelo Sindicato por meio da série "História de cada um" acesse o Facebook ou o site do Sindicato: www.ovigilante.org.br.

Fonte: Imprensa do Sindicato.

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