
A Campanha Salarial 2026 está travada por um motivo simples: os patrões querem que o vigilante aceite um reajuste mínimo nos salários e benefícios para 2026 ao mesmo tempo abrindo mão de direitos que foram conquistados com muita luta.
Nas assembleias de janeiro, no interior e em Belo Horizonte, a categoria já deixou claro: essa proposta foi rejeitada porque representa retrocesso. Além disso, o trabalhador quer valorização e exige a sua parte justa do crescimento do setor da segurança privada — que aumentou em cerca de 2 mil novos postos de trabalho apenas em Minas Gerais, entre 2024 e 2025.
É importante lembrar que nada na nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) caiu do céu. Cada cláusula existe porque a categoria se organizou, pressionou, enfrentou patrão e venceu. Agora, as empresas tentam fazer o caminho contrário: tirar direitos para aumentar lucro.
A situação é a seguinte: de um lado, quem trabalha e sustenta o setor. Do outro, as empresas que querem lucrar e economizar às custas do tempo, dos direitos e da vida do trabalhador.
A proposta patronal começa com um número básico: reajuste geral de 3,9%, que é o INPC, índice que mede a inflação acumulada ao longo de 2025. E esse reajuste mínimo ainda vem com um pacote de mudanças que mexe em benefícios, jornadas, descanso, remuneração e retira proteção do trabalhador. Ou seja: não é reajuste; é troca de direitos por migalhas.
Se o setor cresce, o trabalhador tem que ser valorizado — e não pagar a conta com retirada de direitos.
O QUE OS PATRÕES QUEREM MUDAR NA PRÁTICA:
1) CESTA BÁSICA: piorar o cartão e bagunçar o benefício
Eles querem descentralizar a escolha do cartão e deixar cada empresa escolher o fornecedor. Na prática, o resultado a gente já sabe: é cartão que não passa em lugar nenhum, comércio que não aceita e trabalhador com crédito no cartão, mas sem lugar para passar, ficando no aperto para comprar comida.
-> O Sindicato defende o óbvio: benefício tem que funcionar para o trabalhador — não para a empresa “economizar” e empurrar qualquer coisa.
2) RECICLAGEM NA FOLGA: querem tomar seu descanso
Curso de atualização é obrigatório. Então por que tem que cair nas folgas? Os patrões querem reciclagem de até 10 dias, SÓ nas folgas. Traduzindo: é empresa tentando economizar, jogando todo o peso nas costas do trabalhador.
-> Folga é descanso. Descanso é direito.
3) HORA EXTRA: trabalhar agora e ‘depois a gente vê’
Hoje, a CCT garante: se fez hora extra e não compensou em até 15 dias, a empresa tem que pagar. Os patrões querem 60 dias para compensar. Traduzindo: você faz plantão extra hoje, e a empresa segura seu direito por até 2 meses.
-> Isso não é banco de horas: é querer apertar mais ainda quem já rala demais.
4) ADICIONAL NOTURNO NA 12x36: reduzir sua remuneração
Querem tirar os reflexos do adicional noturno no DSR (descanso semanal remunerado) de quem atua na jornada 12x36.
-> O resultado: menos dinheiro para quem trabalha de madrugada, no turno da noite, e segura a bronca enquanto a cidade dorme.
5) TROCA DE UNIFORME: trabalho ‘de graça’
Querem que você chegue 20 ou 30 minutos antes para trocar uniforme e isso não contar como jornada. Mas se você está ali, no posto, à disposição do patrão, isso é tempo de trabalho.
-> O nome disso é EXPLORAÇÃO. É mais tempo no trabalho, sem receber por isso.
6) PRÉ-APOSENTADORIA: facilitar demissão de quem está perto de aposentar
Hoje, a CCT garante 18 meses de estabilidade antes da aposentadoria. Os patrões querem manter isso só para quem tiver 4 anos na mesma empresa. E a gente sabe o que acontece: quando o trabalhador estiver chegando perto desse tempo, a empresa vai “dar um jeito” de mandar embora. Além disso, nos setores, se o contrato acaba, a empresa muda, mas o vigilante muitas vezes continua no mesmo posto.
-> Com essa regra, o trabalhador perde a estabilidade justamente quando mais precisa. É proteção virando armadilha.
O QUE ISSO MOSTRA?
Mostra que o patronal não está preocupado em valorizar quem trabalha. Está preocupado em reduzir custo e aumentar lucro, mesmo que isso signifique piorar sua vida.
E quando o patrão percebe que a categoria está desmobilizada, ele avança. Quando vê a categoria organizada, ele recua.
Quem acha que “direito é adquirido e ninguém tira” precisa entender a realidade: se não houver acordo até a data-base (prorrogada até 30 de janeiro), a Convenção Coletiva pode deixar de valer — e décadas de conquistas e de luta dos trabalhadores podem ser perdidas.
Direito se mantém com CCT forte e categoria mobilizada. Se o trabalhador não participa, não pressiona e não comparece, o patrão força a proposta dele virar regra.
Por isso, a orientação do Sindicato é: acompanhe, informe seu colega e participe das mobilizações e das assembleias. É lá que a categoria decide o caminho e mostra força.
Fique atento às chamadas para mobilização e para as assembleias e compareça para ajudar a decidir e participar da luta.
DATA: 16/01/2026
FONTE: Imprensa do Sindicato dos Vigilantes de Minas Gerais